Você Sabe da Importância dos Cuidados com a Saúde Ocular na Infância?

Entrevista com a oftalmologista Dra. Ana Carolina Cassiano.

 

Descubra conosco em uma entrevista exclusiva com a Dra. Ana Carolina Cassiano, uma referência em oftalmologia.

Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, possui título de especialista pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e atualmete é membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica; com Especializações em Vias Lacrimais, Plástica Ocular e Órbita. É Pós-graduada em Neurociência da Visão pela USP.

Com vasta experiência e atuação em hospitais, consultório e no exterior, a Dra. Ana Carolina traz uma nova descoberta e forma de abordagem para os pequeninos.

 

Como surgiu o seu interesse pela oftalmologia?

Dra. Cassiano: Na faculdade eu sempre gostei de fazer cirurgia, eu gosto muito de resolver problemas, e a Oftalmologia é uma especialidade que a gente consegue juntar as duas coisas - tanto na parte clínica quanto na parte cirúrgica; então eu me encantei pela Oftalmologia, fui fazer e sou muito realizada.

O olho era o foco principal, mas ao longo do tempo a gente vai vendo que outras partes do corpo se complementam, porque o corpo não é uma parte desconexa da outra, está tudo interligado, então isso é muito legal.

 

 

Como a Doutora se inspirou em focar na saúde ocular infantil?

Dra. Cassiano: Eu sempre gostei de atender crianças desde a residência, mas eu acabei indo para a plástica ocular, vias lacrimais e outras cirurgias – catarata, refrativa. Sempre gostei muito de operar, e criança a gente não opera tanto né? Aliás, a gente faz de tudo pra não operar a criança, a gente opera somente se necessário, mas quando eu tive a minha primeira filha, foi aí que eu resolvi abrir a Clínica para atender só criança.

Minha sócia, é especialista em estrabismo e oftalmopediatria, então juntamos as nossas idéias e fizemos a Clínica.

 

Eu queria ter uma Clínica onde as crianças se sentissem confortáveis e confiantes, porque quando a criança está bem ela colabora muito mais com o exame.

Recebemos muitas crianças que não conseguiram ser examinadas por outros médicos e aqui colaboram porque aqui elas se sentem em casa. A gente fez uma Clínica mais lúdica, mais infantil mesmo... tem criança que entra e fala: - Nossa! Wow! Quanto brinquedo! Olha que lugar legal! Isso já diminui muito a ansiedade, pois eu atendo muita criança com TEA, com TDAH, criança com atraso de desenvolvimento, e aqui a gente consegue examinar as crianças super bem.

 

 

 

Então a Doutora poderia resumir - Maternidade, Acolhimento e um Resultado Positivo?!

Dra. Cassiano: Exatamente! A necessidade faz a gente criar novos caminhos, e que surgiram de forma literal depois da maternidade.

“A Oftalmologia Pediátrica é muito mais que uma profissão,

é um Propósito de Vida!”(A.C.C)

 

 

Doutora, diante dessa frase, quais são os principais cuidados que os pais devem ter com a visão dos filhos? E a partir de que idade é necessário procurar um oftalmologista?

Dra. Cassiano: Então, a primeira coisa que a gente tem que ter em mente é que o cérebro nasce sem saber enxergar nada, ele vai aprendendo a enxergar conforme os estímulos. Se a imagem não chega correta lá no cérebro, o cérebro não aprende a enxergar direito e isso pode levar a um déficit de visão para o resto da vida. Essa janela de desenvolvimento da visão cerebral acontece até os 7 anos de idade, mas principalmente nos dois primeiros anos de vida. Mesmo que a criança não demonstre nenhuma dificuldade para enxergar e não tenha nenhum sintoma, os pais precisam levar ao oftalmologista, porque às vezes eles estão enxergando de um olho só, então um olho enxerga, e o outro não enxerga.

Às vezes a criança se adapta. Ontem chegou uma criança que tinha 6 graus de hipermetropia, e a criança não apresentava nenhum sintoma. E mesmo depois de dilatada, ela não estava enxergando nada, e continuava brincando como se nada tivesse acontecido. Existem crianças que são muito adaptadas e os pais não percebem, o pediatra não percebe, ninguém percebe.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria é que a primeira consulta seja entre 6 meses e 1 ano de idade e depois essas consultas têm que ser feitas periodicamente. O ideal é que seja uma vez por ano, mas pelo menos entre 6 meses e 1 ano de idade, depois com 3 anos, 5 anos e 7 anos é o mínimo. Se a criança apresentar qualquer dificuldade, ou atraso de desenvolvimento, a primeira coisa que a gente precisa saber é se a criança está enxergando bem e se ela está escutando bem, porque não adianta você começar a fazer um monte de terapia se as entradas não estão funcionando direito. Então isso é uma coisa que a gente precisa avaliar. E sintomas como estrabismo, ou qualquer tipo de estrabismo é importante uma avaliação. Se tiver pupila branca, o retinoblastoma, catarata congênita, glaucoma, tudo isso mostram sinais né? Então se existe alguma coisa diferente, precisa levar no oftalmologista, mas muitas vezes não há nenhum sinal e mesmo assim é importante levar periodicamente.

 

 

 

Após esse descritivo que a Doutora apresentou, quais são as doenças oculares mais comuns que podem surgir na infância?

Dra. Cassiano: A principal doença é o grau, isso é o mais comum na infância. Toda criança nasce com hipermetropia, que é o olho pequeno. Conforme as crianças vão crescendo, o olho vai crescendo também e esse grau tende a diminuir até zerar. Se o olho crescer demais e passar do zero, a criança começa a ficar míope. E a hipermetropia tem limites. A própria musculatura do olho foi feita para compensar o grau se estiver dentro do limite esperado para a idade. Então, se estiver acima do limite esperado para a idade, precisa de óculos.

Às vezes a criança tem muito mais grau em um olho do que no outro. E isso também é o que mais passa despercebido, porque os pequenos não dão sinais. Eles acham que enxergar de um olho só é normal. Tem muita gente que só vai descobrir que não enxerga de um dos olhos com 18 anos, quando vai tirar carta de motorista. Isso é muito comum, 5% da população enxerga mais de um olho do que do outro.

E o segundo problema visual mais comum é o estrabismo, que é o olho torto. É quando um olho tá olhando reto para frente, o outro tá torto, ou para dentro ou para fora. Ele pode ser todo o tempo, ou intermitente, às vezes está reto e às vezes não.

 

 

 

Na Timirim, acreditamos que informação de qualidade é uma forma de cuidado. Por isso, unir forças com quem compartilha desse propósito é fundamental. A parceria com a Dra. Ana Carolina Cassiano nasce justamente desse olhar: apoiar famílias, oferecer conteúdo confiável e facilitar o acesso a profissionais e produtos que contribuem para o desenvolvimento saudável das crianças.

Cuidar da visão na infância é cuidar do futuro — e estaremos sempre ao lado das famílias em cada etapa desse caminho.

 

 

 

 

Dra. Ana Carolina Cassiano

@eyekidsoftalmopediatria

Oftalmopediatra

 

Publicação 2/2: continua em fevereiro de 2026

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