Principais pontos
- J. Borges (1935–2024) é um dos maiores mestres da xilogravura nordestina — artista, cordelista e poeta de Bezerros, Pernambuco, com obras no Louvre e no MoMA de Nova York.
- A xilogravura é uma técnica artesanal de gravação em madeira: o artista esculpe a matriz ao espelho, pinta cada elemento com a tinta certa e imprime no papel com pressão de cilindro manual.
- A Timirim visitou o ateliê de J. Borges em Bezerros e trouxe suas obras para as estampas da Coleção Natureza.
- A coleção celebra a fauna e a flora brasileira — araras, papagaios, andorinhas, beija-flores, plantas do sertão — em peças de algodão 100% orgânico.
- Madeira bruta e algodão orgânico: duas matérias-primas naturais que se encontram nas peças da Timirim para contar histórias do Brasil ao seu bebê.
Índice
- O Memorial J. Borges em Bezerros
- Quem é J. Borges
- A técnica da xilogravura nordestina passo a passo
- Da madeira ao algodão orgânico
- A Coleção Natureza: fauna e flora brasileira nas roupinhas
- Conclusão
- Perguntas frequentes
A xilogravura nordestina chega às roupas de bebê da Timirim pela obra de J. Borges — mestre que dedicou décadas a gravar o Brasil em madeira, animal por animal, planta por planta, traço por traço.
O Memorial J. Borges em Bezerros
A cidade de Bezerros fica no Agreste pernambucano, a pouco mais de uma hora do Recife. É lá que fica o Memorial J. Borges — inaugurado em 2003 e hoje um dos principais pontos de preservação da arte popular do Nordeste. Nas paredes cor-de-rosa do espaço, dezenas de matrizes de madeira se organizam em painéis: peixes, pássaros, figuras humanas, animais do sertão, cada bloco entalhado à mão pelo mestre. Ao lado das matrizes, impressões coloridas nomeadas pelo próprio artista — arara-azul, papagaio, azulão, andorinha, casaca-de-couro — cada uma um retrato da fauna que J. Borges conhece desde criança.
A mesa onde ele trabalhava guarda as marcas de tinta de décadas. As ferramentas de entalhe, num estojo verde, ficam ao lado. O espaço é um arquivo vivo: reúne a produção de mais de cinquenta anos e recebe visitantes do Brasil e do mundo que chegam a Bezerros especificamente para ver de perto o que é possível fazer com madeira, ferramentas simples e a precisão de quem dedicou a vida a um ofício.
Foi nesse lugar que a Timirim encontrou J. Borges. A visita ao seu ateliê tornou impossível não levar aquela arte para as roupas de bebê — e deu origem à Coleção Natureza.

Quem é J. Borges
José Francisco Borges nasce em 20 de dezembro de 1935, no Sítio Piroca, zona rural de Bezerros, filho de um agricultor do semiárido. Sua trajetória começa como cordelista — escreve e vende folhetos nas feiras da região. O problema é a capa: as ilustrações precisam ser compradas, e os preços que os artistas cobram são inacessíveis. A solução é aprender a fazer as próprias matrizes de xilogravura para ilustrar os próprios textos.
O que começa como necessidade vira linguagem. J. Borges descobre que a madeira entalhada é onde sua expressão mais natural mora. As histórias do cordel ficam em segundo plano; as gravuras, em primeiro. Ao longo de mais de cinquenta anos de carreira, sua obra reúne mais de trezentas matrizes e milhares de impressões que retratam o cotidiano nordestino, a natureza, os animais, as festas populares, o imaginário do sertão — o cangaceiro, a sereia, o cabra-macho, a onça.
O reconhecimento atravessa fronteiras. A UNESCO premia sua contribuição à preservação do patrimônio cultural imaterial. Pernambuco o reconhece como Patrimônio Vivo Imaterial do estado. Suas obras são expostas no Louvre, em Paris, e no MoMA — o Museu de Arte Moderna de Nova York. Ainda assim, J. Borges permanece em Bezerros, na mesma cidade onde nasceu, trabalhando com as mesmas ferramentas.
Em 26 de julho de 2024, J. Borges falece em Bezerros, aos 88 anos, de causas naturais. Sua obra, porém, permanece: no Memorial que leva seu nome, nas matrizes que continuam sendo reproduzidas, e nas estampas que chegam ao guarda-roupa do seu bebê pela Coleção Natureza da Timirim.

A técnica da xilogravura nordestina passo a passo
A palavra vem do grego: xylon (madeira) + graphe (escrita). Gravar em madeira. A técnica existe em formas variadas há séculos em diferentes culturas, mas a xilogravura nordestina tem características próprias — materiais específicos, ferramentas artesanais e um processo que depende inteiramente do toque do artista.
Tudo começa na escolha da madeira. J. Borges trabalha com madeiras macias — angico, mulungu, outras espécies do sertão — porque são elas que respondem melhor ao entalhe, cedendo sem lascar. A placa precisa ser plana, sem nós que travem as ferramentas. O tamanho corresponde ao tamanho da obra final.
Com a placa pronta, o artista risca o desenho diretamente sobre a madeira. O detalhe que quase todo mundo leva um tempo para entender: o desenho é riscado ao espelho, ao contrário. Tudo que aparece à esquerda no papel está à direita na matriz, e tudo que está em cima fica embaixo. Isso vale para as figuras e, especialmente, para as letras — que precisam ser gravadas invertidas para sair legíveis na impressão final.
Começa então o entalhe — a parte que define a qualidade do trabalho. J. Borges usa um conjunto de ferramentas de aço com diferentes formatos e larguras: goivas retas, goivas curvas, estiletes. A lógica é contraintuitiva para quem vê pela primeira vez: o artista não esculpe o desenho, esculpe o que está em volta do desenho. O que fica em relevo na madeira é exatamente o que vai aparecer impresso no papel.
Pense numa prova fotográfica negativa, onde claro e escuro se invertem. Na xilogravura é a mesma lógica: remove-se o que não se quer ver, e o que resta — o relevo — é o que transfere a tinta para o papel.
Com o entalhe completo, a matriz recebe tinta. Cada parte do desenho ganha a cor que vai aparecer na impressão — e aqui mora um dos segredos do ofício. A quantidade de tinta precisa ser precisa: pouca, e a imagem sai fraca; em excesso, e os detalhes se perdem. J. Borges trabalha essa dosagem pelo tato, pela experiência de décadas. Não existe medida escrita.
A última etapa é a impressão. A matriz pintada é posicionada, o papel é colocado sobre ela, e um cilindro pesado é passado com pressão — a força vem do braço do artista. Essa pressão uniforme transfere a tinta da madeira para o papel. Quando o papel é levantado, aparece a imagem: no sentido certo, colorida, com a textura que só a madeira entalhada produz.
O resultado nunca é exatamente igual de uma impressão para outra. A pressão varia ligeiramente, a absorção do papel muda, a tinta seca de formas diferentes. Isso faz de cada xilogravura uma peça única — o que, para J. Borges, é qualidade, não defeito.

Da madeira ao algodão orgânico
Quando a Timirim decide levar a obra de J. Borges para as roupas de bebê, há uma questão de fundo que vai além da estética: a conversa entre os materiais.
A madeira do sertão pernambucano e o algodão orgânico certificado pelo padrão GOTS percorrem caminhos completamente diferentes antes de chegar ao mesmo lugar. A madeira é dura, resistente, moldada por ferramentas de aço durante horas de trabalho manual. O algodão é macio, cultivado sem agrotóxicos, transformado em malha com o mínimo de intervenção química possível. Um carrega o peso e a textura do sertão. O outro carrega a leveza do que toca a pele de um recém-nascido.
O que os une é a origem: ambos vêm da natureza, crescem sob o sol, dependem da terra e das mãos humanas para se tornar o que são. A arte de J. Borges serve de ponte entre os dois — nasce da madeira e chega ao algodão pelas estampas, trazendo consigo toda a carga visual da fauna e flora brasileira que o artista passou décadas documentando.
Melancias, abacaxis, beija-flores, bichos preguiças, araras, plantas suculentas, flores do sertão — cada elemento que aparece nas peças da Coleção Natureza passou pelas mãos de J. Borges antes de chegar ao corpo do seu bebê. Do entalhe na madeira à malha orgânica, há uma cadeia de cuidado que começa no ateliê de Bezerros. Isso é o que a Timirim quis capturar.
Você pode ler mais sobre como a Timirim escolhe e trabalha o algodão orgânico nas peças de bebê — incluindo de onde vem a matéria-prima e por que os padrões de certificação importam para a saúde do recém-nascido.

A Coleção Natureza: fauna e flora brasileira nas roupinhas
A Coleção Natureza nasce da ideia de que vestir a infância também é uma forma de contar histórias. Não de qualquer história — das histórias daqui, do Brasil, dos bichos e plantas que existem no nosso quintal mas que às vezes a criança descobre primeiro nos livros estrangeiros.
As estampas da coleção são obra direta de J. Borges. Cada animal e planta foi gravado pelo mestre em madeira, pintado, impresso e transposto para o tecido. A arara-azul com suas penas vibrantes. O papagaio entre galhos verdes. O azulão. A andorinha. A casaca-de-couro, pássaro típico do sertão, de penas escuras e bico fino. As suculentas e os cactos que pontilham a paisagem do Agreste pernambucano. As flores cor-de-rosa que aparecem no sertão depois da chuva.
Cada figura carrega a marca visual da xilogravura: traços limpos, cores sólidas, os contornos levemente irregulares que revelam o trabalho da mão do artista sobre a madeira. Não há filtros digitais que suavizem a textura — o que aparece nas peças é o que J. Borges fez com as próprias mãos.
A coleção está disponível em bodies, macacões, calças saruel, mantas e outros itens para bebê de 0 a 24 meses, todos em algodão 100% orgânico.

Para a Timirim, a Coleção Natureza é também um gesto de registro e homenagem. J. Borges dedicou décadas a documentar o Brasil que conheceu desde criança — pássaros que as crianças das cidades talvez nunca vejam pessoalmente, plantas que resistem ao sol do semiárido, animais que fazem parte do imaginário coletivo nordestino. Levar isso para o corpo do bebê é oferecer um primeiro encontro com essa riqueza, e guardar viva a obra de um mestre.
Se quiser conhecer a história de como a Timirim chegou a J. Borges e o que essa relação significa para a marca, esse artigo conta a origem da nossa primeira coleção.
Conclusão
A xilogravura nordestina tem algo que a tecnologia ainda não conseguiu reproduzir: a marca do gesto humano. Cada traço que J. Borges deixou na madeira carrega a decisão de um artista que conhecia profundamente o que retratava — a fauna, a flora, o Brasil. Quando esse trabalho chega às roupas do seu bebê, não é apenas uma estampa bonita. É uma obra com origem, com história, com as mãos de um mestre por trás de cada linha. Conheça a Coleção Natureza da Timirim e leve para os primeiros anos do seu pequeno um pedaço da arte e da natureza brasileira.
Perguntas frequentes
O que é xilogravura nordestina?
A xilogravura nordestina é uma técnica artesanal de gravação em relevo sobre madeira, muito associada à cultura popular do Nordeste brasileiro, especialmente à tradição do cordel. O artista entalha uma matriz de madeira, pinta-a com tinta e pressiona sobre papel ou tecido para transferir a imagem. Cada impressão tem características únicas, com textura e traços que só o trabalho manual produz.
Quem foi J. Borges?
J. Borges foi o nome artístico de José Francisco Borges (1935–2024), nascido em Bezerros, Pernambuco. Começou como cordelista e aprendeu sozinho a técnica da xilogravura para ilustrar seus próprios folhetos. Tornou-se um dos principais mestres da arte popular brasileira, com obras no Louvre e no MoMA de Nova York. Foi premiado pela UNESCO e reconhecido como Patrimônio Vivo Imaterial do estado de Pernambuco. Faleceu em julho de 2024, aos 88 anos, em Bezerros.
Como a xilogravura vira estampa nas roupas de bebê?
O processo começa com J. Borges entalhando e pintando as matrizes de madeira com os motivos desejados — animais, plantas, figuras da natureza nordestina. Essas matrizes são impressas em papel e o arquivo digital da impressão é adaptado para a malha de algodão orgânico. O resultado preserva as características visuais da xilogravura: contornos limpos, cores sólidas e a textura característica do trabalho manual.
O que tem na Coleção Natureza da Timirim?
A Coleção Natureza traz estampas de J. Borges com ícones da fauna e flora brasileira: arara-azul, papagaio, azulão, andorinha, casaca-de-couro, suculentas, cactos e flores do sertão. As peças incluem bodies, macacões, calças saruel, mantas e acessórios para bebês de 0 a 24 meses, todas em algodão 100% orgânico.
O algodão das peças da Coleção Natureza é orgânico?
Sim. Todas as peças da Timirim, incluindo as da Coleção Natureza, são produzidas em algodão 100% orgânico, cultivado sem agrotóxicos e certificado pelo padrão GOTS (Global Organic Textile Standard). O algodão orgânico é mais seguro para a pele sensível do bebê e tem impacto ambiental significativamente menor do que o algodão convencional.
Onde posso comprar as peças da Coleção Natureza?
As peças da Coleção Natureza estão disponíveis na loja online da Timirim em timirim.com.br/colecao/natureza. Você também pode visitar a loja física Casa Timirim, em São Paulo, na Rua Afonso Brás, 848 A, Vila Nova Conceição.

