O peixe – e a cultura da pesca – na introdução alimentar dos bebês

informações e dicas para os pais e cuidadores

ilustração de pescador artesanal

 

 

Quando os bebês podem começar a comer peixe?

Ao pensar na introdução alimentar, uma das dúvidas mais recorrentes entre as mães, pais e cuidadores é esta: Afinal… o peixe pode ou não ser consumido por bebês? E a partir de que idade?

A resposta é simples: O peixe é um ótimo alimento para ser ofertado já a partir dos 6 meses. Ele oferece uma fonte rica de nutrientes essenciais e pode ser uma delícia de descoberta para os paladares em desenvolvimento.

É importante saber quais são os peixes mais indicados para os bebês em fase de introdução alimentar e por ser um alérgeno comum deve ser introduzido com cuidado.

Aqui, reuni algumas curiosidades sobre o tema e dicas de como inserir este alimento na rotina de alimentação dos bebês.

 

 

 

A escolha da espécie de peixe

Prefira sempre o peixe “da época” e “da região”, assim você estará consumindo um peixe mais fresco e contribuindo para a pesca local!

Pescada-branca e amarela, badejo, batata e robalo são espécies de água salgada interessantes para oferecer aos pequenos. O tambaqui e pirarucu, que são espécies de água doce, também são ótimas opções.

Evite espécies de topo de cadeia alimentar, como atum e cação, que tendem a acumular metais tóxicos. Essas substâncias são prejudiciais ao desenvolvimento infantil.

Atenção redobrada para os peixes que possuem muitas espinhas. Faça a limpeza completa do peixe e ofereça-o em pequenos pedaços, assim fica mais fácil de identificar aquelas espinhas bem fininhas. Dica: quando o peixe está bem cozido geralmente a carne se solta com mais facilidade da parte da espinha! Mas ainda podem restar aquelas mais fininhas...

Nas bancas de venda, geralmente você vai encontrar os tipos de peixes mais comercializados, porém existem tantos outros deliciosos, peculiares de cada região do Brasil.

 

 

Benefícios dos Peixes para os Pequenos

Ricos em Ômega-3: Os peixes são uma excelente fonte de ácidos graxos ômega-3, essenciais para o desenvolvimento saudável do cérebro e dos olhos dos bebês e crianças.

Proteínas de Alta Qualidade: As proteínas encontradas nos peixes são facilmente digeríveis e fornecem aminoácidos essenciais para o crescimento e desenvolvimento adequados.

Vitaminas e Minerais: Peixes como sardinha e atum são ricos em vitaminas como a vitamina D e minerais como o selênio, essenciais para ossos fortes e um sistema imunológico saudável.

 

 

A compra do peixe

Certamente, nas cidades próximas ao mar ou rios, onde existe a pesca artesanal, você pode encontrar um peixe mais fresco, com valor mais acessível e proveniente de uma prática pesqueira consciente.

No entanto, em outras regiões, o peixe ainda pode ser encontrado fresco, refrigerado ou congelado. Todas as opções são apropriadas para o consumo quando em condições higiênico-sanitária adequadas.

 

peixes frescos da pesca artesanal na praia de Copacabana, Rio de Janeiro
Peixes frescos da pesca artesanal, vendidos na banca da praia de Copacabana, Rio de Janeiro

 

Atente-se quanto à presença de gelo na compra do peixe fresco, que deve cobrir todo o peixe. Observe também as características de frescor do alimento como:

  • olhos ocupando toda órbita e translúcidos;
  • escamas bem aderidas;
  • brânquias róseas e úmidas;

Sempre vale perguntar sobre a procedência do alimento, essa informação também pode ser compartilhada com as crianças de forma lúdica. Eles adoram saber sobre o caminho que aquele peixinho percorreu até chegar ao seu prato... E como o pescador trabalha em seu barco, bem cedinho antes de o sol nascer, procurando os melhores peixes para trazer e poder alimentar sua cidade local. Imagina quanta história interessante tem por de trás deste prato de comida! Quanta cultura e nutrientes o peixe pode trazer, desde a primeira infância.

 

 

A cultura da pesca no Brasil

A atividade pesqueira no Brasil envolve muitos aspectos econômicos e desempenha um papel significativo nas comunidades costeiras e ribeirinhas no Brasil, fazendo parte de sua cultura e identidade.

O pescador artesanal possui uma relação intrínseca e direta com a natureza e depende dela para extrair seus recursos e sobreviver. Nesta relação há respeito com o ciclo de vida dos peixes e com o meio ambiente, diferente do que ocorre com a pesca industrial, feita em larga escala.

A pesca artesanal é uma atividade essencial que fornece até 85% do pescado consumido em nações da América Latina. É responsável pela nutrição das populações costeiras e ribeirinhas, incluindo muitas comunidades indígenas.

 

 

 

Escolha a atividade pesqueira artesanal

Em resumo, a pesca artesanal é a atividade realizada por pessoas que vivem em comunidades e que realizam pesca em pequena escala, sem visão comercial de grandes proporções. Eles pescam apenas para o consumo da própria família e para vendas locais.

É uma atividade muito diferente – na prática e nos impactos - da psicultura (cultivo de peixes em ambientes controlados) ou da pesca industrial. Esta última, considerada como pesca predatória, consiste na pesca de peixes em larga escala e sem nenhum respeito aos ciclos naturais, mas sim focando na demanda das grandes metrópoles.

 

pescadores artesanais na beira do mar

 

Com o intuito econômico, atualmente, é a pesca industrial que abastece os grandes centros urbanos. “... eles sempre estão atrás de grandes cardumes e acabam fazendo um arrastão no mar, o que é bem prejudicial para a fauna e flora marinha”, explica Bruno Brito, fundador e pesquisador do estúdio ARADO e artista criador da estampa Peixes do Mar para a Timirim.

Bruno, explica ainda, que o ideal seria buscarmos revendedores que possuam uma relação saudável com os pescadores e que pratiquem preços honestos com essas famílias, incentivando a pesca artesanal.

No entanto, essa prática sustentável muitas vezes está limitada às regiões litorâneas: “Quanto mais longe do mar, mais difícil ter acesso a esse peixe sustentável, que acaba ficando mais restrito no mercado local litorâneo. No entanto, uma alternativa boa seria, no mínimo, comermos peixes de acordo com sua época de aparição. Por exemplo: dourado do mar e robalo tem no verão, tainha e cavala aparecem no inverno e assim por diante. Assim como as frutas, legumes e hortaliças, os peixes também respeitam alguns movimentos e tempos da natureza e nós devemos nos adaptar a eles também.”

 

 

O preparo do peixe

O peixe é um alimento muito perecível, portanto, exige cuidado no manuseio e no armazenamento. Higienize bem as mãos e bancadas, use água fervida e filtrada para o preparo das refeições.

Para um primeiro momento, comprar o peixe já cortado em filé pode facilitar o preparo, pois contém menos espinhas.

Você pode – e deve – variar as formas de preparo para que a criança tenha novas experiências e possa desenvolver o paladar. A ideia é utilizar temperos leves, que preservem o sabor do peixe.

 

 

Dicas para introduzir peixes na Alimentação Infantil:

Comece cedo: Quanto mais cedo você introduzir peixes na dieta do seu bebê, mais provável será que eles desenvolvam um gosto por esse alimento nutritivo. Comece com pequenas porções e texturas adequadas para a idade. O bebê já pode consumir peixe com 6 meses de idade,

Varie os tipos de peixe: Experimente diferentes tipos de peixes para oferecer uma variedade de sabores e nutrientes. Peixes como o linguado são ótimas opções para começar.

Preparação adequada: Certifique-se de que o peixe esteja cozido de forma adequada para evitar qualquer risco de contaminação. Você pode assar, grelhar ou cozinhá-lo no vapor para manter seus nutrientes intactos. Não triture o alimento, é preferível amassar com o garfo, preservando seu sabor e textura.

Alergias: A introdução alimentar sempre deve ser acompanhada pelo pediatra, mas é importante saber que o risco à alergia alimentar reduz à medida que a criança é exposta precocemente ao agente. Caso algum familiar seja alérgico ao peixe, isso também deve ser conversado e avaliado junto ao pediatra.

 

 

Experimentando um novo alimento

Alimentar requer experimentar! Essa premissa é muito válida para quem está preparando e oferecendo o alimento, quanto para o bebê que está sendo alimentado.

 

mãe alimentando bebe que esta usando a estampa Cajuzinhos da Timirim

 

Um novo alimento é uma nova descoberta. O sabor, a textura, as cores, a forma como eles são oferecidos, tudo isso é uma experiência única para cada indivíduo. Daí a importância de estarmos atentos, como cuidadores, nesta fase de introdução alimentar.

A partir dos 6 meses de idade o bebê já pode provar um peixinho! De certo, é um alimento com sabor forte e diferente, e isso pode encantar! Ou nem tanto...

Aqui em casa eu evito oferecer os alimentos muito triturados ou misturados para que a criança tenha a oportunidade de identificar novos sabores e texturas. E se a criança recusar o alimento, ofereço novamente usando outras formas de preparo. Muitas vezes, o consumo de um alimento pela família que está à mesa incentiva na aceitação deste novo sabor.

Outra dica de ouro é: dedique tempo às refeições! Dê estímulos, interaja com as crianças dizendo sempre o nome dos alimentos que estão comendo. No caso dos peixes... isso é um prato cheio!

Contar o caminho que aquele alimento percorreu até chegar à mesa desperta muito o interesse dos pequenos. Falar sobre as espécies de peixe ou os benefícios deste alimento (de forma lúdica) também é uma boa estratégia.

Eles adoram os nomes peixe palhaço, pintado, peixe-voador... Você sabia que alguns peixes, como o peixe-voador, têm a capacidade de dar pequenos saltos fora da água e planar brevemente no ar?

E quem não conhece uma canção gostosa que fale sobre peixes? A música também pode ser uma maneira deliciosa de se falar sobre aquilo que se está comendo.

Bruno Brito também compartilhou uma curiosidade bem legal sobre as Tainhas, que vale a pena compartilhar com os pequenos:

“Eu gosto muito das Tainhas, que costumam aparecer no fim de maio, junho e julho. Elas nascem lá no Sul, na lagoa dos patos e vem subindo pela costa até o litoral do rio de janeiro. Muitas fêmeas carregam ovas na barriga e quando chegam no fim dessa jornada, soltam esses ovinhos no mar e eles encontram uma corrente marítima que manda eles de volta novamente lá para o sul do brasil. Ou seja, os peixinhos voltam para nascer de novo na Lagoa dos Patos e o ciclo começa outra vez.”

Introduzir peixes na alimentação dos bebês pode ser uma maneira deliciosa e saudável de garantir que eles recebam todos os nutrientes de que precisam para crescer fortes e saudáveis. Experimente algumas das nossas dicas e compartilhe suas próprias experiências nos comentários abaixo. Vamos juntos criar hábitos alimentares saudáveis para as futuras gerações!

 

 

 

A nova estampa Peixes do Mar da Timirim

Inspiradas na cultura da pesca e na vasta fauna do nosso mar, as peças da nova coleção Peixes do Mar são feitas em algodão orgânico brasileiro e, para completar a brasilidade, apresentam os peixinhos do mar do Brasil, pelo olhar do artista Bruno Brito.

 

Criança usando body classico com estampa peixes do mar da Timirim
Body Clássico Manga Curta da Timirim com estampa Peixes do Mar.

 

Bruno, é pai do José (1 ano) e, além de pesquisador é um grande amante da cultura pesqueira e defensor da pesca artesanal: “A maioria dos desenhos foi feito de cabeça, tentando buscar na minha própria memória, já que sou apaixonado por peixes e pescarias desde criança. Então pra essa estampa eu desenhei o Robalo, o olho-de-cão, peixe-agulha, garoupa, peixe-galo, baiacu, cação, tainha, espada, etc. Obviamente sem tanto compromisso com as minúcias de cada peixe, afinal queria trazer um aspecto ingênuo pros desenhos, mas justamente tentando me referir a eles de um modo mais arquetípico e essencial. Também optei por peixes que costumo ver na baía de Paraty, cidade em que moramos atualmente e que o José, nosso bebê, acaba tendo acesso e relação (ele ama comer peixe!).”

 

Conheça a nova coleção Peixes do Mar e explore esse universo lúdico junto com seus filhos.

 

 

Por Aline Barone, mãe ao cubo3

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